Secretaria de Esportes estuda subir times de categoria para
voltar a brigar pelo vice-campeonato
Aurélio Moreira
São José dos Campos
Promover as equipes Sub-21 à 1ª Divisão dos Jogos Abertos do Interior,
com o objetivo de manter os atletas ligados à cidade e, de quebra, brigar
por mais pontos na maior competição do esporte amador da América Latina.
Se tudo der certo, aí é só comemorar o vice-campeonato do evento.
Sim, você leu direito. De acordo com o secretário de Esportes e Lazer
de São José dos Campos, Alberto 'Mano' Marques, atualmente a luta nos
Abertos é pelo segundo lugar. Nesta entrevista ele admite que é impossível
encarar São Caetano --que garantiu o bicampeonato dos Jogos na quinta-feira--
de igual para igual.
"Não há condição no momento de nós competirmos com São Caetano. Na
verdade, a briga é para saber quem vai ser o segundo, terceiro e quarto",
disse.
Este ano, a delegação joseense --maior da história, com 571 pessoas--
ficou na quarta posição entre os 186 municípios que participaram da disputa.
São José somou 195 pontos. São Caetano cravou 264, seguido de Santos (220)
e São Bernardo do Campo (218).
Para superar, então, as cidades da Baixada Santista e do ABC Paulista,
o secretário lança o debate de 'promover' os times joseenses: na categoria
Sub-21 o título vale apenas nove pontos; na 1ª Divisão, o ouro representa
13 pontos.
Para isso, segundo ele, além do repasse de verba do Fadenp (fundo de Apoio
ao Desporto não-Profissional), seria necessário a obtenção de parcerias
às equipes.
A iniciativa também combateria a 'pirataria' praticada por rivais, que
levam os pratas-da-casa que estouram a idade-limite de 21 anos. Confira
abaixo os principais trechos da entrevista.
ValeParaibano -- Qual o balanço que o senhor faz sobre a participação
joseense nesta edição dos Jogos Abertos do Interior?
Alberto 'Mano' Marques -- Positivo. Diria que nossa equipe rendeu
em torno de 90% de seu potencial. Essa pequena diferença (de pontos) realmente
é o que separa o quarto, o terceiro e o segundo colocado. Não há condição
no momento de competirmos com São Caetano. Sendo absolutamente realista,
São Caetano tem um potencial acima e ganha os jogos porque o investimento
deles em times adultos, times já formados é enorme. Na verdade, a briga
nos Jogos Abertos é para saber quem vai ser o segundo, terceiro e quarto.
Com Santos e São Bernardo a coisa terminou muito embolada.
VP -- O que faltou para que o rendimento fosse de 100%?
Mano -- Nós precisamos fazer com que algumas equipes Sub-21 se tornem
equipes adultas e joguem a 1ª Divisão. Por que isso? Porque vale 13 pontos
(contra apenas nove da Sub-21).
VP -- Hoje o atleta é formado por São José, mas estoura os 21 anos
e vai defender outra cidade (como foi o caso do handebol masculino de
Taubaté que levou o ouro com seis jogadores joseenses). Dentro de quanto
tempo este projeto começa a ganhar forma?
Mano -- Se a gente quiser brigar, chegar perto de São Caetano, a gente
precisa fazer este movimento. Ou seja, com que nossos times de ponta como
o vôlei masculino, o basquete feminino, o futsal, o handebol masculino
e feminino sofram uma alteração profunda de planejamento. Teriam que se
tornar times adultos fortes, participar de campeonatos de primeiro nível
no Brasil.
VP -- Então seria algo para médio prazo.
Mano -- Olha, não é hoje o foco da secretaria. A gente entende que
o trabalho de formação e revelação de talentos é o caminho certo. (Da
forma como está) nos permite chegar ao segundo lugar se houver uma 'patinadinha'
de Santos e São Bernardo, como aconteceu em 2004. Precisamos discutir
o assunto: se nós vamos ou não fazer com que nossos times fortes, que
vão estourar a idade este ano, se tornem times adultos. Eu já tive esta
conversa com o prefeito (Eduardo Cury-PSDB). Existem várias maneiras de
equacionar o problema.
VP -- E quais seriam?
Mano -- Vou te dar um exemplo. O time de vôlei masculino está avançado
numa conversa para que haja um patrocinador particular, que consiga suplementar
o orçamento que eu tenho aqui (e é repassado através do Fadenp) para eles
possam brigar e não ser 'saco de pancadas' na Divisão Especial. Temos
que tomar uma decisão na cidade. Esta discussão é agora. A única coisa
que faltou para a gente ser prata foi um ou dois times destes (que brigam
por 13 pontos) jogando a 1ª Divisão.
VP -- Voltando aos Jogos. Quais foram as maiores decepções?
Mano -- Fiz um balanço das derrapadas em jogos ganhos e que escaparam
(veja arte nesta página). Poderíamos ter somado mais 32 pontos (isso garantiria
o vice a São José). As decepções foram a malha (zerou), o xadrez masculino
(vice em 2004 e que zerou este ano). O basquete masculino não doeu tanto.
Apesar de não ter pontuado, o planejamento previu a montagem de um time
forte para o Paulista da A-2 e conseguir se transformar em um time quase
profissional. Só que ao fazer este movimento (privilegiar o Paulista),
você não consegue ter energia para o Sub-21. Se jogássemos a categoria
Livre dos Abertos, teríamos uma belíssima campanha, só que o time foi
montado posteriormente à inscrição (nos jogos). Foi um erro? Não. Foi
uma contingência. Não doeu porque é uma coisa que está sendo feita para
se montar um time para a 1ª Divisão. Uma que doeu foi futebol feminino
(perdeu o bronze).
VP -- Existe algum estudo sobre modificações no repasse das verbas
do Fadenp para o ano que vem?
Mano -- Fazemos uma avaliação do trabalho do ano todo. As pessoas
têm que se lembrar que não existem somente Jogos Abertos, há uma infinidade
de coisas. Nossa análise é fria e embasada. Esmiuçamos o trabalho de cada
modalidade e toma-se uma decisão: reforça a equipe, muda a comissão técnica,
aumenta a verba ...
VP -- De quanto foi a verba total do Fadenp este ano e de quanto será
em 2006?
Mano -- Este ano foi algo em torno de R$ 4.750.000. No ano que vem
acredito que o montante chegue a R$ 5 milhões. A tendência é que haja
um repasse não-linear às equipes. Por exemplo, se tiver uma avaliação
que foi feito um belíssimo trabalho e nós temos condições de galgar alguma
coisa a mais audaciosa para o ano que vem, haverá o repasse. Ou seja,
pega o valor e faz o planejamento dividindo.
VP -- O senhor chegou a afirmar que o número de atletas 'importados'
iria diminuir gradativamente. Hoje o porcentual de contratados é de quanto
e este número deve chegar a quanto?
Mano -- No começo do ano estava em torno de 24,5%. Agora está em 22%.
Eu tinha solicitado ao meu pessoal que já neste ano de 2005 a gente chegasse
a 20%. Não foi possível porque em muitos casos você correria o risco de
desguarnecer demais. É importante a participação destes talentos externos.
Não adianta zerar este número porque aí não há condição de competir entre
os 20. É preciso calibrar este número. No início do ano eu achava que
o ideal seria reduzir para 15%. Hoje, imagino que o número ideal esteja
próximo dos 20%. Mas esta é uma discussão que depende muito do objetivo.
Se não há preocupação de ter chances de brigar pelo segundo lugar, pode-se
reduzir. Se é importante chegar com mais força, é importante manter mais
ou menos este nível.
VP -- As estrelas da delegação, Fabíola Molina e Diogo Yabe (ambos
da natação), Matheus Inocêncio (atletismo) e Márcio May (ciclismo) devem
permanecer em 2006?
Mano -- Com toda certeza e é impressionante como nós temos estrelas
que rendem muito. A Fabíola deu um show na natação (cinco medalhas de
ouro e uma de prata). Está em ponto de bala, na melhor fase dela. Ajuda
muito a equipe feminina e o trabalho da natação evoluiu muito este ano.
VP -- Sim, mas parece que a equipe vive um imbróglio. Parte dos atletas
treina com uma comissão técnica e parte optou pelo técnico Marcelo Vaccari.
Qual o motivo da divisão? Isso não prejudica o conjunto?
Mano -- Eu acho que sim. Você tem razão. Como o Marcelo já era o técnico
da Fabíola há muito tempo, não havia razão para que ele não continuasse.
Ele é excepcional e brigamos muito para que ele continuasse no time. Ali,
os relacionamentos foram complicados. Houve um pequeno desgaste, muito
mais pessoal do que técnico e nós separamos ao critério deles. Ainda estamos
estudando como isso continua para no ano que vem.