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DOPING: NA ITALIA O MUNDO DOS AMADORES É AINDA MAIS SUJO

 


A casa caiu para muita gente na Itália . Operação da procuradoria da república envolvendo as várias polícias promoveu batidas policiais nas regiões da Toscana, Lazio, Campania, Puglia, Basilicata e Calabria.

O alvo: o mundo dos amadores, dos ciclistas de final de semana sujeitos a poucos controles anti-doping e que se tornaram ao longo dos anos em uma base sólida de um negócio multimilionário e, que segundo pesquisa recente da "Libera" – Associação Contra a Mafia Don Ciotti – tem na Itália um volume de negócios estimado em 425 milhões de euros, uma verdadeira máfia no mundo do esporte.

A operação batizada de "Amateur" foi coordenada pelo Ministério Publico de Massa e tendo como alvo cerca de 25 pessoas com acusações de conspiração para o tráfico e comércio de sustâncias dopantes; receptação e abuso da profissão médica e fraude contra o Estado. Médicos, namoradas dos ciclistas e vários comerciantes estiveram sob investigação.

s investigações começaram em 2009 quando a procuradoria de Firenze abriu investigações sobre alguns participantes de duas corridas amadoras: o Giro delle Alpi Apuene, em Massa e a Corrida di Mulazzo aonde apareceram alguns testes positivos.

Escutas telefônicas e investigações levaram à descoberta de uma rede de "tráfico substancial de drogas, com base na eritropoetina - EPO - proveniente da Campania", e da descoberta de uma organização criminosa, composta por quatro pessoas que comercializavam substâncias proibidas no mercado doméstico e algumas ações no exterior graças à ajuda de alguns dos outros réus (todos consumidores dessas substâncias) distribuídos no âmbito do ciclismo amador da Toscana.

Ao longo da operação foram apreendidas cerca de 200 doses de anabolizantes, das quais 140 a base de EPO e algumas embalagens descartáveis de medicamentos que contêm dois tipos de substâncias dopantes conhecidas no meio esportivo: a Cera eritropoietina (Continuous Receptor Activator – ativador contínuo do receptor de eritropoietina) e também a Epo Z - eritropoietina de '' terceira geração'' com princípios ativos de difícil detecção nas analises de laboratório.

Da investigação surge a constatação de que há uma busca quase frenética por novos produtos que estejam fora do alcance dos testes de drogas encontrados nas listas de doping. Ou o uso não terapêutico de técnicas de engenharia genética que visam alterar a estrutura de muitos tecidos para torná-los mais eficazes no esforço físico. Nessa linha de drogas encontra-se a moderníssima AicaR. Substância que alguns dos detidos estavam tratando de importar em grandes quantidades da China.

Algumas dessas drogas seriam levadas escondidas em necessaires aonde haveria cremes e cosméticos e no interior destes estariam escondidas seringas prontas para uso.

Do mundo profissional um único investigado, e no caso como consumidor: um escalador venezuelano da Vacansoleil, o seu nome não foi divulgado, porém na equipe holandesa, José Rujano é o único ciclista da Venezuela, ligue os pontos e aparece a resposta.

O outro ciclista que aparece na lista é um velho conhecido das autoridades antidoping, o russo Anatoli Chaburka , ciclista de segunda categoria do pelotão da elite, apanhado nos controles por duas vezes em três anos e por esse motivo encontra-se bem longe da Itália.

Entre os detidos há gente famosa do pelotão das Gran Fondo como os irmãos Falzarano e Armando Marzano. Velhos conhecidos do antidoping porque seus nomes apareceram em investigações anteriores. Esses nomes estariam num grupo de 10 pessoas que devem se apresentar à policia judiciaria, ao todo são 25 os investigados, sendo que 6 já se encontram detidos.

Este tipo de notícia remete rapidamente à nossa realidade. Toda vez que se fala de doping em algumas categorias do ciclismo – e aí não falamos da Elite, não que esteja livre e nem pela "grande quantidade de controles que temos por aqui", mas simplesmente para apontar categorias que não exigem o mesmo nível de competitividade dos desportistas – escutam-se relatos de que o doping rola livre e solto. Sem controle nenhum, sem ação das autoridades, corre à boca pequena que até em alguns grupos de treinamento teríamos gente usando de substâncias proibidas para mostrar todo o seu potencial aditivado.

Ciclista de final de semana rodando em ritmo de competição da Elite – se isso não levanta suspeitas, estamos falando de super-homens que deveriam estar correndo com os profissionais, afinal pouco treino com alta performance não levantaria suspeitas?.

Mas como doping não é um tema de interesse das autoridades e aí não é só responsabilidade da CBC ou das federações, mas do Ministério do Esporte, da Saúde, da Justiça que deveriam impor ações para coibir o comércio ilegal de medicamentos e o doping no esporte.

Fonte: Ciclismo PRO/George Panara