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Márcio May e Marcio Ravelli estreiam dupla na Brasil Ride

   
     


Bikers com tradição no MTB nacional falam sobre suas expectativas para a ultramaratona

Uma dupla promete ser uma das atrações da prova Brasil Ride. A ultramaratona de mountain bike que começa neste sábado (19 de outubro) em Mucugê, na região da Chapada Diamantina (BA), e se estende até o dia 26 de outubro, terá a estreia da dupla Márcio May e Marcio Ravelli na disputa da categoria Máster.

Ambos nasceram em 1972 e defenderam a camisa da Caloi na mesma época. Agora, o desafio é andar bem numa das provas mais duras do mundo. Ravelli, que faz sua estreia na corrida, é cauteloso ao falar sobre as expectativas. "Estou indo pela primeira vez. Numa prova de sete dias tudo pode acontecer. Não fiz treinos específicos para a prova como eu gostaria de ter feito. Por conta de organizar a última etapa do GP Ravelli, não treinei como deveria. Tenho que largar e ver como vou me sentir. Acho que o Abraão Azevedo e o belga Bart Brentjens vêm forte para o título. Mas acho que dá para brigar por um pódio na categoria", afirma Ravelli.

Embora a dupla não tenha feito treinos conjuntos, Ravelli acredita que a experiência é um fator importante para o bom desempenho na Bahia. "Eu e o May treinamos juntos no Pan de Winnipeg. Sabemos que teremos que fazer um trabalho de equipe. Vamos montar uma estratégia para cada etapa, mas sempre pode acontecer imprevistos e teremos que analisar cada situação para saber como proceder. Nas partes técnicas, não adianta eu passar e ir embora. Temos que enfrentar juntos as dificuldades. Ambos temos um ótimo patamar de experiência. Ele tem a experiência de correr voltas e eu vou entrar com a técnica nas trilhas", continua Ravelli.

A BIKE DO RAVELLI

Ravelli vai correr com uma Caloi Elite Carbon equipada com grupo SRAM XII de apenas uma coroa e 11 velocidades. "Acho que essa é a melhor combinação de relação para performance hoje em dia. Uma só coroa te proporciona menos trocas de marchas e menos problemas técnicos. Vou levar uma coroa 34 e outra de 30 dentes para os dias mais extremos. Vou analisar cada etapa e ver qual a melhor opção", completa.

"O sol pode ser um fator que pode decidir a prova. O meu lado psicológico está muito bom, especialmente para enfrentar a etapa mais longa, de 140km. Tem que estar sempre atento à hidratação. Se esgotar o corpo logo no início, não se recupera mais", ensina o mestre.

A 3ª VEZ DE MAY

   
     



Já o catarinense Márcio May disputa a Brasil Ride pela terceira vez. Em 2011 e 2012 correu ao lado do parceiro Gean Hoffman. "Corremos de boa. Eu estava meio parado e sem muito treino. Mas, este ano, com a proposta da Caloi, eu me animei a treinar firme e determinado para perder peso e melhorar o condicionamento. Não sei o nível que está o Ravelli, mas não será fácil o pódio na nossa categoria, pois temos adversários muito fortes", diz.

May, que perdeu 16kg desde dezembro de 2012 até o presente, concorda com Ravelli e aponta Abraão e o medalhista olímpico de 1996 Brentjens como favoritos ao título na Máster. "Cada um sabe de seus limites e temos bagagens diferentes. Sei que o Ravelli é muito técnico na trilha. Eu sou forte no estradão e tenho a experiência de correr longas voltas de ciclismo", resume o catarinense.

DICAS PARA OS ESTREANTES

May dá suas dicas para quem vai disputar pela primeira vez a prova na Bahia. "Leve a bike em perfeitas condições, pois ela será exigida ao máximo. Eu recomendo fortemente o uso de pneus tubeless. A região é cheia de pedras e espinhos e Vi muita gente com pneus furados por espinhos. Comigo e com o Hoffman nunca furamos pneus", completa.

"Além de estar muito bem treinado para enfrentar a competição, o atleta tem que saber dosar bem o ritmo, pois as etapas são longas e desgastantes. Enquanto que o campeão vai completar a etapa em seis horas, um competidor de nível intermediário pode levar 9 ou até 10 horas para completar o percurso. E nos dias seguintes tem mais prova", diz.

"Por último acho que é importante a tenacidade mental. Não desistir nunca. Sei que há momentos em que estamos no meio de uma trilha dura e até xingamos o organizador por conta da dureza do percurso. Mas o sofrimento faz parte. É importante superar a vontade de desistir e seguir com persistência e determinação", completa May.


Fonte: Bike Magazine