Pedaladas rumo ao sucesso

O pernambucano Alex Correia Diniz está na equipe Scott há apenas um ano mas já comemora grandes triunfos; sonho é competir na Europa

Divulgação
Alex no podio do Tour SC

São José dos Campo - Marcos Eduardo Carvalho

Alex Correia Diniz, ciclista da equipe Scott/Marcondes César/Fadenp, de São José dos Campos, começou a temporada 2008 com o 'pé direito'. A vitória na 21ª edição do Tour de Santa Catarina, domingo passado, deixou o competidor na liderança do ranking das Américas logo em sua primeira competição oficial valendo para a temporada 2008.

Aos 22 anos, o pernambucano de Jurema está na equipe joseense desde o início do ano passado e sempre mostrou talento. Na Volta de Santa Catarina, percorreu os 1.143 quilômetros de prova (divididos em 10 dias) sem desanimar e sempre esteve brigando pela liderança. Até por isso, considera que essa foi a prova mais marcante de sua carreira até agora.

Segundo ele, o momento mais importante da corrida em Santa Catarina foi na primeira etapa, quando conseguiu abrir uma boa distância sobre os demais concorrentes.

"Era um trecho de subida e uma etapa longa, de 170 quilômetros, em que eu consegui abrir uma vantagem de quase dois minutos (sobre o segundo colocado). Isso foi decisivo para eu conseguir vencer a Volta", afirmou o piloto da Scott, que também já venceu a Volta do Estado de São Paulo no ano passado, além do Pan-Americano de Ciclismo sub-23, também em 2006, só para citar as principais conquistas.

Determinado, sonha com vôos mais altos no futuro. "Meu grande sonho é disputar provas na Europa", disse Alex, que iniciou a carreira no ciclismo aos 16 anos e se diz fã de Márcio May, um de seus colegas na equipe Scott, que nos últimos dez anos sempre se manteve entre as melhores do país.

A seguir, acompanhe os principais trechos da entrevista concedida por Alex Diniz ao valeparaibano.



valeparaibano-- Você venceu o 21º Tour de Santa Catarina. Das 11 etapas disputadas, qual foi o momento decisivo para o seu triunfo?

Alex Diniz -- A etapa decisiva foi a primeira, depois do prólogo. Um trecho de subida e uma etapa longa, de 170 quilômetros, em que eu consegui abrir uma vantagem de quase dois minutos (sobre o segundo colocado). Isso foi decisivo para eu conseguir vencer a Volta.

vp -- Aliás, você esperava vencer essa prova, uma das mais difíceis do país?

Alex -- Eu já estava preparado para isso. Entrar para brigar pelo título geral. Me preparei para isso.

vp -- Nos 1.143 quilômetros percorridos, qual foi o momento mais díficil? Quais foras as principais adversidades enfrentadas nesta competição?

Alex -- O momento mais difícil foi a Serra do Rio do Rastro, no último dia. Uma etapa muito complicada, em que se não administrasse bem a vantagem, um erro poderia jogaria tudo para o alto. As principais adversidades enfrentadas foram as etapas longas, o trabalho de equipe, com os meus companheiros que praticamente puxaram toda a Volta, para que eu pudesse manter a liderança. Todas as equipes também se uniram contra a gente e isso foi bem complicado.

vp -- Na temporada passada a equipe de São José foi a segunda melhor do ranking sul-americano. Desta vez, acredita que o primeiro lugar será possível?

Alex -- É. Neste ano já começamos com o 'pé-direito'. Estamos liderando o ranking do América Tour. Então, vamos correr as provas que dão bastante pontos para o ranking e tentar vencer.

vp -- Você já sofreu algum acidente grave durante uma prova de ciclismo?

Alex -- Não, durante a prova não. Acidente grave, mesmo foi em treinamento. Já fui atropelado e já caí bastante. Mas o pior mesmo foi o atropelamento, quando quebrei o ombro e fiquei praticamente seis meses sem competir.

vp -- Quando surgiu seu interesse por essa modalidade?

Alex -- Eu tinha 16 anos, trabalhava em uma loja de 'bike' e comecei a ter contato com o esporte, com atletas que participavam de provas pelo Brasil e daí fui me apaixonando pelo esporte. Me envolvi e agora estou no meio.

vp -- A equipe de São José está sempre entre as melhores do país. Como é a rotina de treinos para manter o bom nível?

Alex -- A equipe de São José é a melhor do Brasil. Na parte de treinamento, cada atleta tem a sua preparação de maneira diferente. Cada um sabe o que tem que fazer e como fazer para chegar bem numa competição. Então, não tem aquela parte de preparador físico em grupo. Cada atleta sabe do seu compromisso o que tem que fazer seus treinos de maneira profissional.

vp -- De todas as provas que você já disputou, qual foi a que mais marcou sua carreira?

Alex -- A prova mais marcante foi essa Volta (de Santa Catarina). Foi uma prova muito importante na minha vida, numa hora muito boa. Eu estava esperando por um título tão importante como esse.

vp -- Tem algum ciclista consagrado que inspirou a sua carreira?

Alex -- Eu me inspirava bastante no Márcio May, Daniel Rogelin, atletas que já venceram o Tour de Santa Catarina várias vezes. Então eu via eles participando de competições e sonhava que um dia poderia andar igual e competir ao lado deles. Graças a Deus, isso eu consegui.

vp -- Qual foi o momento mais difícil que passou no esporte?

Alex -- O momento mais difícil é sempre o início. Tentar entrar no meio desse esporte é complicado. O ciclismo é um esporte que tem que ter grana, não adianta. É um esporte muito caro. No começo é sempre difícil, mas com a ajuda de amigos e companheiros de equipes a gente vai superando as dificuldades.

vp -- Você já praticou alguma outra modalidade?

Alex -- Não, o único esporte que eu sempre fiz foi mesmo o ciclismo. Eu entrei de 'cabeça', me dediquei à modalidade.

vp -- Você pretende seguir no ciclismo por quanto tempo? Tem planos para o futuro?

Alex -- Eu pretendo tentar manter essa boa performance que estou tendo e, talvez, conseguir uma equipe na Europa. O nosso técnico também está tentando participar de provas lá, e meu objetivo é vencer alguma corrida na Europa. Vamos ver se vai dar certo.

Fonte: Vale Paraibano