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Depois
de ver o mundo ao seu redor ficar de pernas para o ar, pelo menos
por alguns instantes, e quase perder a vida em um acidente de carro,
o ciclista catarinense Márcio May tenta retomar a carreira profissional.
Os primeiros passos têm sido rápidos e animadores.
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Há
pouco mais de dois meses, ele passou por um dos maiores dramas pessoais,
quando perdeu o controle do veículo que conduzia e capotou três
vezes no Km 568 da BR-116, na localidade de Barra do Turvo (SP),
quase na divisa com o Paraná. Márcio e o colega de equipe, Soelito
Ghor, seguiam no mesmo veículo rumo a Indaiatuba (SP) para disputar
o Campeonato Brasileiro de Ciclismo.
- O meu cinto (de segurança) arrebentou com a batida e, quando fui
sair do carro, senti dores muito fortes nas costas - lembra.
Levado para dois diferentes hospitais, próximos à região, o ciclista
recebeu um diagnóstico nada favorável: havia fraturado duas vértebras
torácicas (a 11ª e a 12ª). Com isso, ele teria que passar imediatamente
por uma cirurgia para corrigir o problema. Aconselhado por um amigo,
que é médico em Brusque, Márcio foi levado para uma clínica especializada
em Curitiba (PR), onde chegou 18 horas após sofrer o acidente.
- Eu não pensava em muita coisa. Só queria acabar com aquela dor
insuportável - diz o ciclista, que chegou a ser medicado com morfina
(sedativo) durante o tempo que esteve internado na Unidade de Tratamento
Intensivo.
Um dia depois da internação, numa segunda-feira - o acidente ocorreu
no sábado, dia 16 de junho, às 11h - , o catarinense foi submetido
à cirurgia, que lhe custou 18 pontos nas costas e o implante de
quatro parafusos de sustentação nas duas vértebras.
- Só depois que vi o raio X da coluna é que percebi a gravidade
da lesão. Os parafusos ficaram a um milímetro da medula (óssea)
- observa.
Meta é voltar a competir no mês de novembro
Hoje, feliz pela recuperação e já pedalando cerca de 50 quilômetros
a cada dois dias, Márcio faz planos para o futuro. Ele quer disputar
o Tour de Santa Catarina, prova que já ganhou quatro vezes, e os
Jogos Abertos de Santa Catarina, em novembro.
- Quero competir pelo menos mais um ano ainda. Só depois vou pensar
em aposentadoria - ressalta Márcio, de 35 anos, que já participou
de três Pans (1995-1999-2003) e quatro olimpíadas (1992-1996-2000-2004).
( jean.balbinotti@diario.com.br
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