“A evolução do ciclismo no Brasil deve continuar"

Em entrevista ao Prólogo, Marcio May falou do início de sua carreira, da evolução do ciclismo nacional e, ainda, sobre a iniciativa e os percalços de se produzir um evento como o 1º Desafio de Ciclismo e MTB Marcio May.

Marcio May está de volta à ativa

Por Juliana Saporito

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São 20 anos de carreira, muitos títulos e momentos importantes para Marcio May. Aos 35 anos, ele é pai de família, fera no ciclismo e um verdadeiro entusiasta do progresso do esporte no Brasil. Nem o grave acidente automobilístico que sofreu em junho deste ano, foi suficiente para tirar de May a disposição de trabalhar. Ele aproveitou o tempo de pausa forçada e de recuperação para planejar e organizar o 1º Desafio de Ciclismo e MTB Marcio May, que acontecerá neste final de semana, em Rio do Sul, Santa Catarina.

Prólogo: Como sua carreira começou?
Marcio May: A história é longa (risos). Comecei a pedalar pela cidade de Salete (SC), em 1987. Depois, passei a participar de competições pela cidade de Brusque, até 1990. Em 91 e 92 defendi outra cidade, Rio do Sul, e ganhei a seletiva para as Olimpíadas de Barcelona. Participei dos Jogos na prova dos 4x100. Depois disso, fiquei sete anos na equipe Caloi, outro cinco correndo pela Memorial e defendo a Scott/ São José dos Campos desde 2005.

P: E o que mudou deste tempo para cá?
MM: Muita coisa. A tecnologia, principalmente. Os materiais, equipamentos, uniformes e sapatilhas são totalmente diferentes. Mas o mais importante é que as equipes se estruturaram. Para se ter uma idéia, antigamente a Volta de Santa Catarina contava com cerca de 45 participantes, 10 deles com chances de vencer. Hoje, contamos com 130 e, como na prova sempre estão os primeiros colocados no ranking, há mais de 60 ciclistas com chance de vitória. Isso acontece porque as competições são mais fortes e as equipes cresceram.

P: Na sua opinião, o que ainda é preciso mudar para o bem do ciclismo nacional?
MM: A evolução tem que continuar. É importante investir em eventos para atrair quem gosta do esporte, conquistar novas pessoas. Outro ponto é apoiar mais as provas de elite, como se faz na Europa. As empresas poderiam e deveriam patrocinar as competições e estes eventos. O esporte é uma vitrine, dá retorno e é preciso investir.

P: Como surgiu a idéia de organizar o Desafio de Ciclismo e MTB Marcio May?
MM: Eu pretendia organizar o evento há muito tempo. Comentava com amigos e então eles começaram a me cobrar, a perguntar quando eu o faria. Era difícil ter tempo para organizar e planejar tudo com calma

P: E como você conseguiu esse tempo?
MM: Quando me acidentei, em junho deste ano (May sofreu um acidente automobilístico e teve uma fratura na coluna) tive que ficar um tempo parado, mal podia sair de casa. Nesse período de recuperação coloquei a idéia no papel, pude planejar o evento e procurar apoio. Deu certo, porque já temos 300 inscritos. Acho que esse tipo de prova ajuda a motivar as pessoas, atrai quem gosta de pedalar, mesmo que não tenha experiência. Uma pessoa participa e depois convida outra e mais outra. Realizar o Desafio era um dos meus sonhos.

P: E quais são as suas expectativas para o evento?
MM: Estou um pouco nervoso, porque embora a gente trabalhe para fazer tudo dar certo, sempre ficam a expectativa para ver o resultado e uma certa ansiedade (risos).

P: É cedo para dizer que o Desafio não ficará só na primeira edição?
MM: Não. Quero realizar o evento todos os anos. A intenção é identificar os erros e acertos nesta primeira vez para fazer a prova crescer e dar certo, ano após ano.

fonte: prologo.com.br

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